Nesta tela aparece representada uma mesa, coberta com toalha preta, e sobre a qual se encontram pousados: uma salva com doces secos e variados, três púcaros produzidos nas olarias do sul de Portugal, um pêssego, flores e pétalas. A disposição destes objetos simboliza um modo de vida passível de reflexão e introspeção...
Esta pintura é atribuída a Josefa de Óbidos (1630-1684). Nascida em Sevilha em 1630, veio para Portugal, país de seu pai, o pintor Baltazar Gomes Figueira, tendo sido conduzida para o noviciado em Coimbra. Não se adaptando à realidade do convento, instala-se em Óbidos e inicia uma intensa atividade na área da pintura, primeiro, colaborando com seu pai e, depois, autonomamente.
É impossível desligarmos a representação dos alimentos que pinta do simbolismo religioso que lhes anda associado.
Na sua pintura Josefa de Óbidos vai de um nível puramente terreno, com a representação, por exemplo, de peças de barro, passando pelas plantas e flores, os animais e o homem, até atingir um nível mais espiritual no qual aparecem, por exemplo, os anjos. Os objetos que pinta sejam eles profanos ou naturais, são de facto místicos. Portanto, são contemplações de Deus.
Realce-se o fato de ser a única mulher cuja pintura ficou conhecida, numa época em que esta arte era dominada pelos homens. Chegou mesmo a ser retratista da Casa Real Portuguesa.
Tendo sido uma rara exceção à regra, quebrou muitos dos cânones de uma sociedade predominantemente masculina, tendo-se tornado uma pintora excecional do barroco português.

Natureza Morta