Em 1767 foi fundada, em Lisboa, a Real Fábrica para produção de faiança. O nome pelo qual ficou conhecida – Fábrica do Rato – ganhou-o da toponímia da cidade.
A sua criação ficou a dever-se às políticas de proteção e fomento manufatureiro levadas a cabo pelo Marquês de Pombal.
Numa primeira fase a fábrica produziu peças sumptuárias de altíssima qualidade, inspiradas na ourivesaria ou em modelos escultórios, algumas das quais encomendadas pelo próprio Marquês de Pombal. Numa segunda fase manteve a produção de louça qualificada, maioritariamente de pintura a azul e branco, sendo um exemplo deste fabrico a bela terrina que pertence ao acervo do Paço dos Duques de Bragança.
Peça de luxo, em faiança com pintura a azul sobre fundo branco, foi produzida no último terço do século XVIII e denota boa qualidade de modelo, de pasta e de moldação.
Apresenta forma oval, bojo bulboso, duas asas laterais em batente e base canelada com os centros e os lados vazados, desenhando quatro pés. A tampa, também dotada de corpo bulboso, é rematada por pega em forma de golfinho. É decorada com ramos de rosa e folhagens encontrando-se, junto ao bordo da terrina e da tampa, a designada faixa de Ruão.
A partir de 1818 a Real Fábrica sofreu uma gestão prejudicial, não conseguindo recuperar de crises sucessivas, acabando por encerrar as suas portas em 1835.Terrina