Descrição: Segundo o Professor Rui Morais, na pintura que ornamenta o baú está presente uma clara alegoria ao tema do mar. Do lado esquerdo encontra-se Neptuno, deus do mar e filho de Cornos e de Reina. Do lado direito, surge representada Venús, a deusa do erotismo, da beleza e do amor, que brota nua da espuma do mar, sentada numa concha marinha.

O mito – simbolizando a relação da água com o amor, a sensualidade e a fecundidade – parece representar a união de Neptuno e Vénus da qual resulta a criação da ilha de Rodes.

Uma das formas mais antigas de mobiliário é a arca com tampa de tipo caixa, utilizada para guardar objetos de uso pessoal – roupas, loiças... e mesmo peças de elevado valor como pratas ou jóias. A arca e os móveis que dela derivam eram fácéis de mover, sendo por isso escolhidos para o transporte dos bens de um lado para o outro.
Até meados do século XVII a arca foi a principal forma de arrumação, vindo a ser gradualmente substituída, entre outros, por armários e cómodas.
A arca vem a dar origem ao baú, peça que destacamos este mês. Este difere daquela pela sua tampa em forma de tronco escavado, a qual terá surgido com o objetivo de prevenir a acumulação de água da chuva durante o seu uso no transporte fora de casa.
Este baú, pelos motivos decorativos que apresenta, indicia ser um baú de noivado, usado para acomodar o enxoval da jovem que se casa. Como tal, era um objeto estimado por sucessivas gerações.

Baú