Descrição:

Pichel em estanho, com uma tampa em forma de alavanca, para se poder erguer. Tem um ligeiro rebordo ornamental no bojo (saliência arredondada) no fim da asa. Assenta numa base de aba voltada para fora.

Dos utensílios utilizados na alimentação, na Idade Média, o pichel é um dos que mais reflecte na sociedade a sua estrutura social, política e económica. Podiam ser utilizados para beber, mas também para tirar vinho das pipas e tóneis.
O pichel, picheira, picho, pincha e pichorra, dependendo da região, são todos recipientes da mesma família, usados para vinho, de forma carneda, com ou sem bico, sempre com uma asa.
Do pichel provém, também, a designação picheleiro, referente à antiga profissão ou mester. E a palavra mester deriva de ministerium, aludindo ao mistério (segredo) da arte desenvolvida. Assim, o picheleiro era o artista dos pichéis. Com o tempo, tomou o significado de canalizador.
Num tempo em que a religião e a política eram praticamente indissociáveis, era a moral católica que estruturava a relação entre os homens e os vários mesteres, nomeadamente na grande manifestação pública anual da procissão do "Corpus Christi" (ou Corpo de Deus). Nesta festa, a confraria dos picheleiros era identificada pelo estandarte de São Jorge e ocupava um lugar definido, num dos mais importantes rituais de afirmação e visualização de poderes de outras épocas.