A farmácia europeia medieval, reflexo da influência árabe, era um espaço aberto para o mercado normalmente pequeno, tipo armazém. Sobre o balcão dispunham-se diversos utensílios relacionados com o ofício, nomeadamente, almofarizes, pilões e balanças. Forrando as paredes encontravam-se geralmente prateleiras preenchidas com potes, boiões e canudos de botica contendo medicamentos simples e compostos.         
Os vasos de botica eram feitos de muitas formas dependendo da sua função. Os que eram utilizados para armazenar substâncias sólidas e viscosas, tais como ervas, especiarias, conservas, unguentos e electuários , eram geralmente cilíndricos, ou ovóides (potes e boiões, estes últimos também designados por canudos). As substâncias líquidas, tais como xaropes ou óleos, eram armazenadas em garrafas.   
O potencial decorativo destes objetos é bastante rico e diversificado. Inicialmente toda a sua superfície era ocupada por padrões geométricos. Mais tarde os motivos decorativos ocidentalizaram-se e foram apresentadas cenas religiosas e seculares.
Alguns potes exibiam rótulos coloridos com os nomes dos medicamentos em português ou latim. Outros surgiam numerados, correspondendo o número a uma determinada substância medicamentosa.


Ficha de Inventário

Denominação: Boião de Botica
N.º de Inventário:  PD0314
Categoria: Cerâmica
Data: Século XVIII
Fabrico: Sem Marca/ Fabrica de Viana, Darque (?)
Descrição: Pintura monocroma azul em dois tons, sobre esmalte branco. Dupla cartela de estilo “rocaille”, construída por motivos de concheado, enrolamentos e elementos fitomórficos. Na reserva superior as armas da Ordem Terceira de S. Francisco (cinco chagas sangrantes postas em aspa).
Formato tubular com estreitamento central. Gola alta, levemente inclinada, com rebordo plano.


Agradecimento: A fotografia de cenário gentilmente cedida pela Farmácia Pereira