Agosto é o mês em que temos vindo a abordar o tema das Tapeçarias da coleção de Pastrana, que são, sem dúvida uma das mais interessantes e curiosas coleções do nosso museu.

A quarta tapeçaria desta coleção mostra-nos entrada das tropas portuguesas em Tânger, em agosto de 1471, e respetiva tomada. De facto, observando este pano de armar, vemos, do lado esquerdo, as tropas portuguesas, no centro a cidade vazia e, à direita, os habitantes da cidade a abandonar a sua terra. Tânger sabia que, depois de conquistada Arzila, apenas uns dias antes, seria rapidamente tomada também e, por isso, opta pela retirada. Era, portanto, uma questão de tempo. De tons predominantemente vermelhos, azuis, castanhos e verdes, esta 4ª Tapeçaria mostra-nos a fuga de famílias completas: homens, mulheres e crianças transportam os seus bens e haveres, de costas voltadas para a cidade, rumo ao exílio. Apesar de retratar uma realidade do século XV, esta imagem é, contudo, atual. Repercute-se, nos dias de hoje, em várias partes do mundo, com uma violência e crueldade quiçá, em tudo, superiores aos sentidos nos finais da Idade Média.

A 4ª tapeçaria de Pastrana encontra-se exposta no Salão Nobre do Paço dos Duques.


Bibliografia:
Santos, Reynaldo dos - As Tapeçarias da Tomada de Arzila. Lisboa: 1925.
Henriques, Ana Castro - Catálogo da Exposição “A Invenção da Glória” Edições El Viso, 2010. Edição do Museu Nacional de Arte Antiga e Fundação Carlos Amberes.

SSF
2016