Pensa-se que D. Afonso I, mais conhecido por D. Afonso Henriques terá nascido em 1109, tendo sido o primeiro Rei de Portugal. Conquistou a Independência face ao Reino de Leão e Castela em 1143 e por isso adquiriu o cognome de “o Conquistador”.
D. Afonso Henriques era filho do Conde D. Henrique e de D. Teresa de Leão e segundo a tradição, o seu nascimento terá ocorrido em Guimarães. Recebeu o nome “Afonso” em homenagem a seu avô D. Afonso VI, o Imperador das Hespanhas, e “Henriques” por significar “ser filho de Henrique”. Com a morte de seu pai, D. Afonso Henriques toma um conjunto de posições políticas que vão contra sua mãe, D. Teresa, que culminam num conflito que se dirimiu a 24 de junho de 1128 no campo de S. Mamede tendo saído vitoriosa a sua hoste. A partir daqui governa a terra portucalense onde a sua autoridade raras vezes foi contestada.
Continua a expansão para sul, conquistando territórios aos mouros, destacando-se algumas grandes vitórias, tais como, na Batalha de Ourique em 1139, Leiria em 1145 e Santarém e Lisboa em 1147.
É a partir desta vitória em Ourique que D. Afonso Henriques vai granjeando a legitimidade necessária para se intitular “rex”, Rei dos Portugueses, criando, por seu lado, uma rede de vassalagens que ia consolidando politicamente o “reino”. Este viria a ser reconhecido por D. Afonso VII, rei de Leão e de Castela, no Tratado de Zamora, em 1143.
Em 1146 contraiu matrimónio com D. Mafalda de Saboia, que nessa altura era um condado autónomo. Deste enlace nasceram sete filhos: D. Henrique, D. Urraca, D. Teresa, D. Mafalda, D. Sancho, D. João e D. Sancha.
Com a aproximação à Santa Sé, de quem no mesmo ano se torna vassalo, inicia-se uma nova fase da sua politica externa. Em 28 de maio de 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, conferiu a D. Afonso Henriques o direito de conquistar terras aos mouros, referindo-se, neste documento, pela primeira vez, a D. Afonso Henriques como “Rex”.
“Alexandre, Bispo, servo dos servos de Deus, ao caríssimo filho em Cristo, Afonso, rei ilustre dos Portugueses e aos seus herdeiros. (…) Nós, reconhecendo a tua pessoa (…) com todas as honras e dignidades próprias dos reis, concedendo-te por virtude da autoridade apostólica, e confirmando-te na posse de todos os lugares que, com o auxílio da divina graça, conseguires arrancar das mãos dos Sarracenos, sem que os príncipes cristãos teus vizinhos possam alegar sobre eles qualquer pretensões.” (Condensado da História de Portugal de A.H. Oliveira Marques)
D. Afonso Henriques confirma o foral concedido por seu pai a Guimarães onde amplia as garantias e isenções concedidas aos moradores de Guimarães e a quantos aí se viessem fixar. Neste documento, é explícita a gratidão de D. Afonso Henriques àqueles que durante do cerco ao castelo comandado por Afonso VII, arriscando tudo, se colocaram, ao seu lado.
Devido às suas conquistas, foi atribuído a D. Afonso Henriques o cognome de “O Conquistador”.
D. Afonso Henriques teve uma vida longa. Morre em 1185, com mais de setenta anos de idade, e os seus restos mortais repousam em Coimbra, na Igreja de Santa Cruz.