Não pode faltar o olhar do Cinema que tantos castelos filmou e produziu. É, por isso, oportuno, e em articulação com a área de programação do Cinema, apresentar um Ciclo sobre a presença, obviamente metafórica, do Castelo na História do Cinema, dividido em 3 atos que remetem para a estrutura do projeto.

1 - OS DRAMAS INTERIORES

Como é que um espaço teatral se transforma num território interior, puramente intimista, virtualmente sem saída? Por vezes, o cinema assume a teatralidade mais primitiva para, afinal, encontrar a sua dimensão mais radical, quer dizer, mais próxima de uma verdade que as palavras, paradoxalmente, transportam e ocultam.

28 DE MAIO, 21H30
AS LÁGRIMAS AMARGAS DE PETRA VON KANT (1972)
de Rainer Werner Fassbinder
Um dos momentos mágicos da relação de Fassbinder com o (seu) teatro. Preservando a clausura do espaço teatral, este é, afinal, um filme de paciente e amorosa contemplação do universo feminino. Com algumas das atrizes mais emblemáticas do cinema de Fassbinder, incluindo Margit Carstensen (Petra), Hanna Schygulla e Irm Hermann.

29 DE MAIO, 21H30
BENILDE OU A VIRGEM MÃE (1975)
de Manoel de Oliveira
Quando estreou, no meio das convulsões da sociedade portuguesa do PREC, foi um dos filmes de Oliveira mais ignorados. É, afinal, uma das peças centrais do seu universo criativo: uma adaptação (totalmente rodada nos estúdios da Tóbis Portuguesa) da peça de José Régio, atravessada pelos temas nucleares da revelação divina e do desejo de pureza.

 
2 - OS RITUAIS DE FUGA

Como é que uma relação humana, no seu jogo de duas identidades, pode ser também um exercício de solidão? Nos mais diversos contextos culturais, a história do cinema vai sendo pontuada por esses filmes inclassificáveis em que o desejo de fuga de um determinado cenário se transfigura em viagem aos confins do nosso (des)conhecimento.

30 DE MAIO, 21H30
FUGIU UM CONDENADO À MORTE (1956)
de Robert Bresson
Inspirado na história de André Devigny, resistente francês prisioneiro dos nazis, este é um dos exemplos mais radicais da lógica de “mise en scène” de Bresson (precedendo “Pickpocket”, de 1959). Aqui, tudo passa pela singular presença física do actor, François Leterrier: o cinema é, de uma só vez, um documento do corpo e um pressentimento da alma.

31 DE MAIO, 21H30
SLEUTH / AUTÓPSIA DE UM CRIME (1972)
de Joseph L. Mankiewicz
Baseado numa peça de Anthony Shaffer (adaptada pelo próprio), esta é a história do confronto épico de dois homens – Laurence Olivier / Michael Caine – que aplicam a palavra como um instrumento perverso de comunicação e ocultação, transparência e traição. Derradeiro filme de Mankiewicz, ficou como um testamento sarcástico sobre a comédia humana.

 
3 - A DECOMPOSIÇÃO DOS LUGARES

E se a relação dos seres humanos com os seus espaços estivesse sempre ameaçada por uma estranha lógica suicida? Há filmes que, mesmo quando enraizados em contextos históricos muito precisos, nos confrontam com uma questão sempre presente – como é que a nossa identidade vive através da identidade dos outros? Ser ou não ser, eis a questão.

1 DE JUNHO, 21H30
PEEPING TOM (1960)
de Michael Powell
Já fora da parceria com Emeric Pressburger, este é um título central na filmografia de Powell a solo: a história de um assassino de mulheres que regista, com uma câmara, os seus momentos finais. Parábola perturbante sobre os poderes do cinema, foi profundamente atacado na altura do seu lançamento – hoje em dia, é um clássico consagrado e um verdadeiro objeto de culto.

2 DE JUNHO, 21H30
VEM E VÊ (1985)
de Elem Klimov
Uma evocação da ocupação da Bielorrússia pelas tropas nazis, encenada com o fôlego trágico condensado nas palavras bíblicas do Apocalipse de São João (“Vem e vê”). Título final da obra de Klimov, a sua invulgar e perturbante representação do horror da Guerra confere-lhe a dimensão de obra-prima absoluta do cinema da segunda metade do século XX.