D. João I, filho ilegítimo de D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, aristocrata galega, foi o décimo Rei de Portugal, o primeiro rei da 2ª dinastia e fundador da dinastia de Avis. Casou com D. Filipa de Lencastre e foi o pai da Ínclita Geração: D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique, D. Isabel, D. João e D. Fernando. Foi proclamado rei nas Cortes de Coimbra, com o apoio de João das Regras, primeiro Chanceler-mor do Rei.
De acordo com a vontade de seu pai, a educação de D. João I foi, desde cedo, orientada para uma carreira eclesiástica e militar. Aos sete anos de idade foi armado cavaleiro e feito Mestre da Ordem de Avis.
Uma vasta herança e o mestrado de uma das mais ricas ordens militares tornou-o um dos senhores mais ricos do seu tempo.
Após a morte de D. Fernando, em 1383, torna-se ativo opositor à regência de D. Leonor Teles, acolitada pelo Conde Andeiro, e à entrega do trono português ao rei de Castela.
Nomeado defensor do reino, D. João I comanda uma revolta contra a regente e dirige, com a preciosa ajuda de D. Nuno Álvares Pereira, uma prolongada campanha contra o invasor castelhano, até à vitória na Batalha de Aljubarrota a 14 de agosto de 1385.
O apoio decisivo de Inglaterra na Batalha de Aljubarrota está certamente na origem do seu casamento com D. Filipa de Lencastre, da casa real inglesa, de quem teve oito filhos: D. Branca, D. Afonso, D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique, D. Isabel, D. João e D. Fernando, os chamados “Ínclita Geração”. O Mestre de Avis teve dois filhos ilegítimos de D. Inês Pires Esteves: D. Afonso, 8º Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança, e D. Beatriz, mais tarde Condessa de Arundel.
Merecem destaque alguns acontecimentos históricos que ocorreram no reinado de D. João I, tais como: a conquista de Ceuta, em 1415, que marcou o início da Expansão Portuguesa em África; as primeiras viagens atlânticas e a descoberta das ilhas de Porto Santo, da Madeira e dos Açores; o estabelecimento de tratados de paz com Castela em 1411, bem como a realização do Tratado de Windsor com a Inglaterra em 1386.
O túmulo duplo de D. João I e de D. Filipa de Lencastre encontra-se no Mosteiro de Santa Maria da Vitória da Batalha, um impressionante monumento do tardo-gótico nacional, construído para comemoração da vitória das armas portuguesas em Aljubarrota e para panteão da Dinastia de Avis.